Você ama o curso de inglês, mas quando você acorda de manhã e olha pro teto você se pergunta pra onde foi todo aquele amor – e você repete esse ritual por dias, por semanas, até o teto se tornar o seu melhor amigo nas horas de vazio e tédio.
Fora do quarto, o mundo muda, e talvez você, mas não é assim que você se sente. Enquanto chove, enquanto o sol aparece, enquanto os pássaros cantam, a sensação é de que a sola dos seus pés está grudada no chão, como tivessem concretado suas pernas e tornado você uma estátua viva de fracasso e autocomiseração.
O mundo muda, mas algo em você permanece o mesmo – imutável e intransponível, ou é assim que você enxerga tudo. A despeito disso, no entanto, você levanta e vive sua vida, e você ri, e você conta piadas, enquanto por dentro uma raiva desproporcional te consome, enquanto uma tristeza descomunal te devora, enquanto um cansaço imensurável te domina.
Os órgãos começam a falhar aos poucos – a pele vai se desfazendo discretamente, a garganta vive inflamada, o intestino vive irritado, a cabeça nunca para de doer. Isso é seu corpo pedindo pra você se desligar, pedindo pra você se ajudar, mas você ignora. Você tem medo de pedir ajuda e não conseguir, então você se encolhe num canto e fica esperando que tudo isso passe sem que você precise ir até alguém.
Você sabe que tudo isso é burrice. Você sabe que devia estar fazendo o melhor pra si mesma. Mas você sabe, também, que saber às vezes não muda nada. E nesse caso em especial, saber só te faz sentir mais raiva de si mesma – por ser uma know-it-all que não consegue sair do lugar.
Então você não sai do lugar.
Você acorda de manhã e olha pro teto se perguntando onde foi parar todo aquele amor.
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