terça-feira, 25 de novembro de 2014

so I could watch all my heroes sell a car on tv

"Parece que foi ontem que a gente se conheceu. Você tava sentada do outro lado da sala, eu me aproximei e te pedi um cigarro, e você com o maior tom de indignação do mundo perguntou se tinha cara de quem fumava, por acaso".

"E você com a maior cara-de-pau do mundo respondeu que não, que você também não fumava, mas que precisava de um pretexto pra vir falar comigo".

"Você precisa admitir que foi genial"

"Eu admito que você foi um idiota", sorriu.

"Com quem você continua falando até hoje".

"E eu nem mesmo sei por que".

"Porque você sabe que precisa de mais pessoas que te façam rir de verdade".

"Eu acho que rio o suficiente".

"Não de verdade".

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"Por que você tava lembrando de quando a gente se conheceu?"

"Porque às vezes eu olho pra você, como agora, e parece que o que quer que tenha te deixado mal naquela noite não foi tão grande ou tão ruim quanto aquilo que te deixa mal agora. E eu honestamente não sei mais o que eu posso fazer pra que isso pare de crescer e te levar embora".

"Duas coisas: você não tem que fazer nada, e eu não estou indo pra lugar nenhum".

"Eu tenho síndrome de herói, já esqueceu?".

"Não. Mas não tem absolutamente nada que você possa fazer por mim".

"Você não precisa passar por isso sozinha".

"Meu bem, todo mundo vai embora. Ninguém consegue ficar do lado de quem olha pras coisas e não sente nada, e fica apático, e pra quem tudo é triste e sem esperança. Não tem amor que dure, não tem amor que cure, não tem amor que te faça ficar ali, todos os dias, crise após crise, dormindo do lado de um vazio, cumprimento um vazio, abraçando um vazio. Porque uma hora o vazio começa a tomar conta de você também, e aí como vai ser? Eu acreditava que não precisava passar por isso sozinha, que eu teria amigos, que eu teria amor, que eu teria gente do meu lado. Mas sempre tem os dias nos quais você não quer mais existir, e todo mundo vai dizer as coisas que você já sabe de cór - não porque elas disseram isso mil vezes, mas porque você disse isso mil vezes pra si mesmo antes de chegar onde você está. E ninguém vai entender que você está cansado desses discursos porque você já os fez milhares de vezes na sua cabeça, você já os ouviu o suficiente, você já repetiu tanto isso pra si mesmo que a coisa toda perdeu o sentido, que nem acontece quando a gente repete muitas vezes seguidas a mesma palavra. Então sim, eu preciso passar por isso sozinha. Porque todo mundo vai embora, e todo mundo tem uma vida que não gira em torno do meu umbigo. E se eu não souber passar por isso sozinha quando todo mundo tiver o que fazer, como é que vai ser? Como é que eu vou ficar? Viver é sozinho, e não tem síndrome de herói nenhuma que mude isso".



domingo, 26 de janeiro de 2014

someday you will find me

caught beneath the landslide

Seguir em frente às vezes é o mesmo que deixar o romantismo de lado. É lembrar que a vida não é um filme, não é um livro, não é uma canção.

Mas o que fazer quando você conhece alguém que faz cada pedacinho da sua vida se transformar numa espécie de universo paralelo? O jeito que essa pessoa diz que te ama, o jeito que ela demonstra isso. Você pensa que poderia ter escrito aquele diálogo, você pensa que poderia ter escrito aquela cena, aquele olhar e aquele gesto antes de ir embora. Você não fez absolutamente nada disso, e é fantástico, porque significa que você ainda não enlouqueceu. E que algumas coisas são realmente possíveis.

Algumas relações, com algumas pessoas, simplesmente fogem da realidade. Elas são exatamente aquele filme, exatamente aquele livro, exatamente aquela canção.

Talvez essa seja a maneira de deixar elas irem embora. Admitir que elas foram aquele sonhar acordado que não dura muito tempo, do tipo que você não pode mesmo ter pra sempre. Mas foi bom enquanto durou. Foi tão bom enquanto durou! Cada viagem, cada carta, cada mensagem, cada encontro, cada abraço!

Tem dias nos quais eu penso que você foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Mas eu preciso deixar o romantismo de lado. Tem dias nos quais eu tenho certeza disso. Mas eu preciso deixar o romantismo de lado.

Eu poderia ter escrito a história entre você eu, mas que bom que eu não fiz. Talvez não tivesse sido tão boa.

this is the way that we love
like its forever
then live the rest of our life
but not together

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

bye bye, miss crumbling walls


Acho que uma das coisas mais difíceis de se fazer é seguir em frente, e talvez por isso eu tenha começado esse blog. Pra ir descobrindo aos poucos como conseguir.

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No momento, posso dizer que já juntei alguns pedacinhos e comecei um trabalho de colagem. Estou fazendo as coisas com calma, devagar, mas me permitindo ficar feliz com as pequenas conquistas, ao invés de dar vazão às frustrações. Não tem sido exatamente fácil, mas é bom saber que não é impossível.

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Numa noite qualquer eu pensei que não queria mais revisitar o passado. As lembranças ruins me deixavam mal, e as boas lembranças conseguiam me deixar ainda pior. Tive vontade de fazer como num filme e pedir pra alguém apagar todas essas memórias, mas então caí em mim e lembrei que não dá pra ser uma pessoa completa sem as experiências pelas quais a gente passa. Parece uma epifania boba, mas adivinha só, essa foi uma das pequenas conquistas.

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Estou tentando fazer disso um mantra. "É só não ter raiva; é só não olhar pra trás com raiva". E quem sabe eu não começo finalmente uma revolução a partir da minha cama.



"this'll be the day that I die.
this'll be the day that I die."